STF enfrenta recorde de desconfiança entre os brasileiros (Clique aqui)
O Supremo Tribunal Federal atravessa um dos momentos mais delicados de sua relação com a opinião pública. Pesquisas recentes apontam crescimento expressivo da desconfiança dos brasileiros em relação à Corte e colocam em debate sua credibilidade perante a sociedade.
Datafolha aponta recorde de desconfiança
Pesquisa Datafolha divulgada em 18 de setembro mostra que 48% dos brasileiros afirmam não confiar no STF, maior percentual registrado desde o início da série histórica do instituto, em 2012.
Outros 35% dizem confiar um pouco no Supremo e 14% afirmam confiar muito.
Em março deste ano, a parcela que dizia não confiar era de 43%. O levantamento de setembro ouviu 2.001 pessoas em 125 municípios, entre os dias 15 e 17, e possui margem de erro de dois pontos percentuais.
Outro dado chama atenção: pela primeira vez na série do Datafolha, a desconfiança no STF aparece numericamente acima da registrada para Presidência da República, Congresso Nacional e partidos políticos.
Quaest também registra aumento
Outro levantamento reforça o cenário de desgaste. Pesquisa Quaest realizada entre 10 e 13 de setembro apontou que 56% não confiam no STF, contra 46% no levantamento anterior, de agosto.
Segundo a pesquisa, 30% afirmam confiar pouco e apenas 9% dizem confiar muito na Corte.
A Quaest ouviu 2.004 pessoas presencialmente. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-03607/2026.
Poder do Supremo também é questionado
Em outro levantamento Datafolha, realizado entre 8 e 10 de setembro, 76% dos entrevistados disseram considerar que os ministros do STF possuem poder demais.
Ao mesmo tempo, existe uma importante ressalva: 71% consideram o Supremo essencial para a democracia.
Os números revelam uma situação complexa. Uma parcela expressiva da população demonstra insatisfação ou desconfiança em relação à atuação da Corte, mas a maioria continua reconhecendo a importância institucional do STF para o regime democrático.
O desafio de recuperar confiança
A confiança nas instituições é um elemento importante para o funcionamento de uma democracia. O Supremo exerce a função constitucional de guardar a Constituição e suas decisões naturalmente podem provocar concordâncias e discordâncias.
Os levantamentos atuais, entretanto, mostram que a relação entre o STF e uma parcela significativa da sociedade brasileira passa por um período de desgaste.
Mais do que uma disputa entre direita e esquerda, os números colocam diante da Corte um desafio institucional: preservar sua independência e, ao mesmo tempo, fortalecer transparência, previsibilidade, equilíbrio e confiança pública.
O Supremo não precisa ser uma instituição popular. Suas decisões devem seguir a Constituição, mesmo quando contrariam maiorias circunstanciais. Mas nenhuma instituição democrática pode ignorar indefinidamente a percepção da sociedade sobre sua atuação.
Os próximos meses mostrarão se o atual nível de desconfiança representa um momento passageiro ou uma transformação mais profunda na relação dos brasileiros com sua mais alta Corte.
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